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Bicho peçonhento
dema

Como é terrível o abraço da serpente,
qual torniquete a matar por asfixia
incautos animais, pegos de repente,
pois do perigo, ninguém lhes noticia.

Bicho ardiloso, demônio natural!
Não foi à toa que Eva, negligente,
fez Adão pecar, embora inocente,
parecendo, a Deus, ter escolhido o mal.

Sorrateira, malfazeja, venenosa!
Mordes o calcanhar, eis que perigosa.
Se o Diabo enxerga em ti certo glamour,
nós outros sentimos repulsa e pavor.

Longe de mim, língua comprida! Olhuda!
Em vez de no bico de um grande urubu,
quantas vezes te vi, magrela e pançuda,
digerindo bichos maiores que tu.

Maldito sejas, reptante peçonhento!
Quero – te a torcer, cabeça decepada,
e ver se, ao depois de à morte condenada,
cessas de causar temor ou sofrimento.

Pura  verdade, de ti, morro de medo,
do que não me avexo nem guardo segredo.
Se grande ou pequena, com ou sem veneno,
dou adeus ligeiro, sequer faço aceno.

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