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Sob escombros

dema

Arandelas tremem nas paredes,
lustres balançam sobre nossas cabeças.
Tumulto. Gritos, derrubar de cadeiras.
Pessoas tropeçam e correm.
A morte chega por insistentes abalos.
O terror estampado nos olhos esbugalhados
potencializa a estridência dos berros.
O teto vem abaixo. Esmaga retardatários.
Dentre eles, eu.

Carros se chocam nas ruas,
postes de luz vêm ao chão,
gente eletrocutada.
A crosta, com fendas no ventre,
engole veículos, pontes e edifícios.
Imensurável a duração infindável dos segundos
de intermitentes abalos.
Quanta gente morta! Choro, gemidos, desespero...
e solidariedade.

Não me sei consciente ou não.
Longe no tempo, o mistério dos primeiros encontros:
coisas minúsculas assumem feições gigantescas.
Será que não gostou de mim?
Treme-se apenas por um desvio de olhar.
Frio na barriga, porque não me sorriu quando lhe sorri.
Hormônios de gênero se digladiam com fome e medo.
Talvez se fundam.
Almas se conturbam aos receios próprios do enigma,
pois que ainda estranhas.
Tudo é terremoto.

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